Enquanto me acrescento idade, o meu coração cresce de conhecimento. Verifico que é cada vez mais difícil enganá-lo. A descoberta não será grande para a maior parte de vós... para mim é uma certeza que tem cheiro de descoberta recente... com cheiro das primeiras marés do tempo frio, nos ares molhados de praias nubladas... Tenho abandonado a escrita nestes meses, porque, para além de experiências que têm sido fonte de matéria de destilação de sonhos e frustrações, não me tenho sentido capaz de expressar em poesia aquilo que me perturbou ou encantou mais. Pensei até terminar este blog, contudo sei que existem alguns assíduos curiosos sobre os conteúdos que aqui publico, e o meu respeito por essas individualidades me manteve até agora dedicado a isto... Lamento é não me sentir com a capacidade de os preencher satisfatoriamente com matérias que no fundo, desejo como objectivo único e maior, os possam pôr a sonhar mais, pelas imagens e emoções que faço associar. Aqui fica, para vós, o meu pe...
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As palavras que li em todas as páginas, não me confidenciavam tanto como os teus olhos, sem o quereres. Sem gralhas e erros, de uma métrica perfeita, vi já muito escrito sem que me demovesse da minha rigidez habitual... que julguei natural... Para além das horas que agora correm, e só se demoram quando pactuamos com beijos, lembro mais o teu sorrir do que qualquer mineral raro e lapidado, ultrapassando-o nos padrões da pureza e potencial para deslumbrar. Já hoje te disse que podéramos percorrer toda a terra do Mundo, sem sentir os pés nela presos, mas que flutuáramos antes, depois de confissões arejadas nos horizontes violeta quando o dia começava ou terminava? Digo-te agora: quanto te amara!...
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Queria mais alegria, em beijos desenhada. Queria a cama desfeita de paixão, e a carne mais tacteada, O sopro mais ofegante, e a poesia mais celebrada. A noite contigo devia ser mais sonora. Apesar dos dias luminosos E da arte que revisito sempre Já não faço magia como antes E ela (arte) já não mora comigo Ou em qualquer lugar vivo (o museu é frio, acinzentado... trago folhetos explicativos quando já sei que não guardarei nada do que senti nas horas ali largadas). Se tenho música sempre em mim É para que sintas que há ar desanuviado, Se te sufocara já a minha insatisfação. Chove no tempo, na rua, No mar... E cá por dentro Limpa todo o chão Que fora debulhado...
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As horas que espero as horas em que chove as horas movimentadas todas são horas de sossego quando estás perto quando estás longe porque estás comigo porque já és parte de mim e no passado ninguém toca como tinta indelével, negra como a da China, traços da memória, moldada a ser divina. Na nudez dançamos, com a calma que era primordial, antes do frio que é superficial, que reclama roupa artificial, que nos afasta do principal... amor... amor... Escutamos a música dessa dança pausada. As mãos defendem os movimentos que incitam os corpos a seguir o metrónomo interior e compondo a nossa obra meio dançada, meio tocada, vamos sentindo a noite espalhada, pelo brilho que vemos na superfície desses nossos olhos macerados da paixão ou do amor... amor... Nunca da ilusão. Longe da ilusão...
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Estou quase adormecido E sustém-me agora lembrar o teu sorriso E imaginar uma casa em que vivamos, Onde me possas mostrar muitos sorrisos como esse, e eu Espontaneamente, Sorrindo também, Te mostre que o nosso amor é bonito, Tão belo que o não tem mais ninguém; Dividiremos frescuras nos ares libertos da manhã, E sustentar-nos-emos com olhares de espanto, E gestos de conforto; Depois os beijos demorados, Amolecerão ainda mais as horas... Veremos então que será tarde, E que é já outra a luz que vem do céu, Mas sentiremos, apaixonados Que o que importa mesmo, É sempre, tu seres tu, E eu, ser eu...
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Cá por dentro só te vejo, e oiço, e desejo sentir-te pele com pele, da boca, de todo o corpo vivo... A despedida é sempre uma pequena morte; a aguada nos meus olhos que fica, e nunca no céu da aguarela que quereria pintar, como um presente definitivo; uma marca de amor... Vejo nesta mesa as ondulantes sombras destas árvores e desta vida de fim de tarde, enquanto um oboé me vai torturando com purezas demasiado desanuviadas, que não consigo conter em mim, nem em nada do que existe na minha vida; só o inalcançável me parece corresponder às imagens que esse oboé me faz chegar pelo ar... Tu és um acorde irrepetível que me chegou ao cérebro e vibrou em todas as minhas fibras musculares, sem atritos... Esse som que te corresponde ecoa cá dentro mais tempo que o regular... É(s) a minha tortura mais íntima e secular...
do filme "Paris Je T'aime"
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"De tanto se comportar como um homem apaixonado, transformou-se de novo num homem apaixonado." "Há alturas em que a vida requer uma mudança, uma transição, como as estações. A nossa Primavera foi magnífica, mas o Verão já passou. Perdemos o Outono, e agora, de repente, está frio. Tão frio, que tudo... tudo começa a ficar gelado... O nosso amor adormeceu e a neve apanhou-o desprevenido. Mas se adormeces sobre a neve, não sentes chegar a morte. Cuida de ti."